Na manhã seguinte, Damian estava sentado diante do advogado, tentando entender como uma assinatura que parecia ser sua havia aparecido em documentos que ele nunca tinha visto.
O advogado, Marcelo Duarte, colocou três folhas lado a lado sobre a mesa.
— Quero que você olhe com atenção antes de responder qualquer coisa.
Damian se inclinou.
Na primeira folha estava uma cópia de um documento relacionado à casa.
Na segunda, uma autorização para uma operação financeira.
Na terceira, um contrato ligado à oficina de Godfrey.
No final dos três documentos aparecia o mesmo nome:
Damian.
E abaixo dele, uma assinatura muito parecida com a sua.
— Eu nunca assinei isso.
Marcelo não demonstrou surpresa.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Damian pegou a primeira folha.
— Quando isso foi feito?
— Há aproximadamente dois anos.
Damian soltou uma risada curta, sem humor.
— Dois anos atrás eu estava em Calgary. Posso provar exatamente onde estava.
Marcelo juntou as mãos.
— Então não faça nenhuma acusação ainda. Primeiro vamos reunir tudo.
Era exatamente o tipo de conselho que Damian precisava ouvir.
Depois de tudo que tinha visto, queria voltar para casa, jogar os documentos sobre a mesa e exigir respostas.
Mas a noite anterior havia provado que paciência funcionava melhor.
Quanto mais confortável sua família se sentia, mais falava.
Marcelo apontou para o contrato da oficina.
Parte do dinheiro usado para iniciar o negócio de Godfrey parecia ter sido apresentada como um investimento familiar autorizado por Damian.
— Seu irmão pode alegar que você concordou verbalmente.
— Nunca concordei.
— Então precisamos demonstrar isso.
Damian olhou novamente para a assinatura.
Havia algo perturbador nela.
Não era uma falsificação grosseira.
Quem havia feito aquilo conhecia sua assinatura.
Conhecia muito bem.
E então Damian se lembrou.
Antes de partir para o Canadá, Selina o ajudara a organizar uma pilha de documentos.
Seguro.
Banco.
Papéis relacionados à casa.
Procurações limitadas para resolver algumas contas enquanto ele estivesse fora.
Na época, parecia perfeitamente normal.
Era sua mãe.
Por que desconfiaria?
— Ela tinha documentos com minha assinatura — Damian disse.
Marcelo levantou os olhos.
— Sua mãe?
— Muitos.
O advogado anotou alguma coisa.
— Isso pode ser importante.
Damian sentiu o telefone vibrar.
Era Phedra.
Ele atendeu imediatamente.
— Amor?
Por alguns segundos, ouviu apenas a respiração dela.
— Damian… sua mãe está aqui.
Ele se levantou tão rápido que a cadeira quase caiu.
— Onde?
— No hospital.
Selina estava no corredor quando Damian chegou.
Usava roupas discretas, não tinha colocado o colar de Phedra e segurava uma sacola com frutas.
Parecia outra pessoa.
Uma mãe preocupada.
Uma sogra arrependida.
A transformação era quase impressionante.
— Graças a Deus você chegou — disse ela. — Eu só queria conversar.
Damian passou por ela.
— Você não fala com Phedra sem mim.
Selina franziu a testa.
— Não precisa me tratar como uma estranha.
Damian entrou no quarto.
Phedra estava acordada.
Sobre a mesa havia um buquê de flores.
— Ela trouxe isso — Phedra disse.
Damian olhou para Selina.
— Leve embora.
— Damian…
— Leve.
Selina colocou a sacola sobre uma cadeira.
— Eu vim pedir desculpas.
Phedra a encarou.
Selina aproximou-se lentamente.
— Todos nós cometemos erros.
Damian quase respondeu, mas Phedra apertou sua mão.
Ela queria ouvir.
— Eu estava sob muita pressão — continuou Selina. — Administrar aquela casa, cuidar das contas, ajudar Godfrey… você não entende como foi difícil.
Phedra perguntou:
— E cuidar de mim?
Selina ficou em silêncio.
— Eu era sua família também — Phedra continuou. — Ou pelo menos achei que fosse.
— Você estava doente. Eu não sabia o que fazer.
— Você sabia o que o médico mandou fazer.
Selina perdeu parte da expressão gentil.
— Tratamentos custam dinheiro.
— Damian mandava dinheiro.
— Não era infinito!
Phedra olhou para ela por alguns segundos.
Então fez uma pergunta simples:
— Por que você disse a Damian que eu estava fazendo exames que nunca fiz?
Selina percebeu a armadilha.
Olhou imediatamente para Damian.
— Seu advogado colocou isso na cabeça dela?
— Responda.
Selina pegou a bolsa.
— Não vou ficar aqui sendo interrogada.
Antes que saísse, Damian falou:
— Quem assinou meu nome?
Ela parou.
Não se virou.
Apenas parou.
Foi o suficiente.
— Não sei do que você está falando.
— Claro.
Selina saiu.
Phedra esperou até que os passos desaparecessem no corredor.
— Ela sabe.
— Eu também acho.
Mas Phedra parecia preocupada com outra coisa.
— Damian, preciso te contar algo sobre Godfrey.
Ele puxou a cadeira.
— Pode falar.
Phedra respirou fundo.
— A oficina não começou há sete meses.
Damian franziu a testa.
— Você disse que...
— Foi quando abriu oficialmente. Mas ele vinha preparando tudo havia muito mais tempo.
— Quanto tempo?
— Quase dois anos.
Damian ficou imóvel.
A mesma época dos documentos.
Phedra continuou.
Godfrey costumava receber homens em casa quando Damian estava no Canadá.
Eles levavam pastas.
Conversavam com Selina.
Às vezes, Phedra era mandada para o quarto.
Uma tarde, porém, ela ouviu uma discussão.
Godfrey queria mais dinheiro.
Selina disse:
— Precisamos fazer isso aos poucos. Se Damian perceber, acabou.
Na época, Phedra acreditou que falavam apenas das transferências.
Agora já não tinha certeza.
— Tem mais — ela disse.
— O quê?
— Um dia encontrei uma pasta azul no quarto da sua mãe.
Damian esperou.
— Dentro havia cópias dos seus documentos. Passaporte. Assinaturas. Comprovantes bancários.
— Onde está essa pasta?
Phedra balançou a cabeça.
— Não sei. Quando Selina descobriu que eu tinha entrado no quarto, ficou furiosa. Dois dias depois, a pasta desapareceu.
Damian pegou o telefone.
Ligou para Marcelo.
Nos dias seguintes, enquanto Phedra permanecia no hospital, Damian começou a reconstruir quatro anos da própria vida.
Não emocionalmente.
Financeiramente.
Transferência por transferência.
Mensagem por mensagem.
Data por data.
E quanto mais procurava, pior ficava.
Selina havia criado uma narrativa perfeita.
Quando precisava de cinco mil dólares para a casa, dizia que o telhado estava com problemas.
Quando Godfrey precisava comprar equipamentos, surgia uma “emergência médica”.
Quando queria trocar o carro, aparecia alguma despesa inesperada.
Damian sempre mandava.
Ele trabalhava mais horas.
Aceitava turnos extras.
Economizava no aluguel.
Enquanto isso, Phedra recebia cada vez menos.
Marcelo também encontrou algo importante.
A casa não estava simplesmente no nome de Selina.
Anos antes de Damian viajar, uma parte havia sido registrada de maneira que lhe dava participação no imóvel.
Posteriormente, documentos tinham sido usados para alterar aquela situação.
Documentos com sua suposta assinatura.
— Se ficar demonstrado que você não assinou — explicou Marcelo —, essas alterações podem ser contestadas.
Damian passou a mão pelo rosto.
— Então ela não estava apenas gastando o dinheiro.
— Pode haver muito mais do que isso.
Marcelo apontou para outra folha.
— E encontrei uma conexão com a oficina.
Uma quantia significativa usada para estruturar o negócio de Godfrey parecia ter vindo de recursos relacionados à casa.
Damian ficou em silêncio.
Finalmente compreendeu por que Selina havia tentado impedir que ele levasse Phedra ao hospital.
Não era apenas medo de que Phedra contasse a verdade.
Era medo de que Damian começasse a investigar.
Naquela mesma noite, Godfrey apareceu no hospital.
Sozinho.
Damian o encontrou perto dos elevadores.
— Preciso falar com você.
— Não tenho nada para falar.
— É sobre mamãe.
Damian parou.
Godfrey olhou ao redor.
— Não aqui.
Eles foram até uma área externa do hospital.
Godfrey parecia diferente.
Não havia arrogância.
Não havia roupas chamativas.
Apenas nervosismo.
— Mamãe está desesperada — disse ele.
— Problema dela.
— Você não entende.
— Acho que estou começando a entender perfeitamente.
Godfrey respirou fundo.
— Ela quer vender a casa.
Damian virou lentamente a cabeça.
— O quê?
— Hoje.
A palavra fez tudo dentro dele ficar alerta.
— Por quê?
— Ela acha que seu advogado vai tentar bloquear alguma coisa.
Damian já estava pegando o telefone.
Godfrey segurou seu braço.
— Espera.
Damian olhou para a mão dele.
Godfrey soltou imediatamente.
— Tem algo que você precisa saber primeiro.
— Fala.
Godfrey passou as mãos pelo rosto.
— A oficina não foi ideia minha.
Damian não disse nada.
— Mamãe insistiu. Ela dizia que você nunca voltaria de verdade. Que eventualmente ficaria no Canadá.
— E você acreditou?
— Eu queria acreditar.
Finalmente, uma frase sincera.
Godfrey continuou:
— Ela dizia que aquele dinheiro era praticamente nosso. Que você estava ganhando bem. Que mandaria mais.
Damian sentiu repulsa.
— Então você sabia de onde vinha.
— Nem tudo.
— Sabia que Phedra estava doente?
Godfrey baixou os olhos.
— Sabia.
— Sabia que ela não estava recebendo tratamento?
Silêncio.
— Godfrey.
— Eu sabia que tinha parado.
Damian se aproximou.
— E continuou usando meu dinheiro?
— Sim.
A resposta veio quase como um sussurro.
Damian fechou os olhos por um instante.
Godfrey então disse:
— Mas eu não sabia que mamãe estava falsificando sua assinatura.
Damian abriu os olhos.
— Então você admite que ela falsificou.
Godfrey percebeu o que acabara de revelar.
— Eu não disse isso.
— Acabou de dizer.
— Damian…
— Como você sabe?
Godfrey olhou para a porta do hospital.
Depois para o estacionamento.
Finalmente respondeu:
— Porque eu vi.
Damian ficou completamente imóvel.
— Quando?
— Há dois anos.
Godfrey engoliu em seco.
— Ela estava na cozinha com uma folha transparente por cima de um documento antigo seu. Estava copiando sua assinatura.
Damian sentiu um frio percorrer a coluna.
— E você não fez nada?
— Ela disse que era apenas para resolver uma questão burocrática.
— Você acreditou nisso?
Godfrey não respondeu.
— Você usou o documento?
Mais silêncio.
Damian entendeu.
— Meu Deus.
Godfrey tentou se justificar.
— Eu precisava da oficina! Era minha oportunidade de construir alguma coisa!
— Com a minha assinatura.
— Eu ia devolver!
— Com o dinheiro do tratamento da minha esposa!
Godfrey finalmente perdeu a paciência.
— Eu não sabia que ela ia ficar tão doente!
Damian encarou o irmão.
A frase ficou entre os dois.
Era sempre a mesma lógica.
Phedra havia se tornado um cálculo.
Quanto valia gastar nela?
Quanto tempo ainda teria?
Seria melhor investir o dinheiro em outra coisa?
Damian não conseguia mais ouvir.
— Vai embora.
— Damian, posso ajudar você.
Ele quase riu.
— Agora?
Godfrey tirou o celular do bolso.
— Tenho mensagens.
Damian parou.
— Que mensagens?
— Minhas e da mamãe.
Godfrey abriu uma conversa antiga.
Algumas mensagens haviam sido apagadas, mas muitas permaneciam.
Damian leu uma.
Selina: “Não fale para Phedra quanto ele mandou.”
Outra.
Selina: “Se ela pedir para ligar para Damian, diga que ele está trabalhando.”
Depois uma terceira.
Selina: “Precisamos terminar os documentos antes que ele resolva voltar.”
Damian sentiu o coração acelerar.
— Me envie tudo.
Godfrey guardou o celular.
— Primeiro quero uma garantia.
Damian o encarou.
E ali estava.
Até naquele momento, Godfrey ainda estava negociando.
— Que garantia?
— Que você não vai acabar com minha oficina.
Damian soltou uma risada amarga.
— Você ainda não entendeu nada.
— Eu investi anos nisso!
— E Phedra investiu onze meses tentando sobreviver!
Godfrey ficou vermelho.
— Então esquece.
Virou-se para sair.
Damian não tentou impedir.
— Godfrey.
O irmão parou.
— Quando isso terminar, você vai precisar decidir se quer proteger sua oficina ou proteger a mulher que pode ter falsificado documentos usando seu nome também.
Godfrey virou-se.
— Meu nome?
Damian não tinha prova disso.
Ainda.
Mas conhecia a mãe agora.
— Você acha mesmo que alguém disposto a fazer isso comigo teria escrúpulos com você?
Pela primeira vez, Godfrey pareceu assustado de verdade.
Na manhã seguinte, ele enviou as mensagens.
Todas.
Marcelo começou a organizá-las junto com os extratos bancários e documentos.
Mas uma mensagem chamou especialmente a atenção.
Era de oito meses antes.
Selina havia escrito:
“Ela descobriu demais. Precisamos tirar as coisas importantes da casa.”
Godfrey respondera:
“Que coisas?”
Selina:
“Os documentos. Antes que ela fale com Damian.”
Phedra leu a mensagem três vezes.
Então ficou muito quieta.
— Eu sei do que ela estava falando.
Damian se aproximou da cama.
— Da pasta azul?
Phedra balançou a cabeça.
— Não.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
— De outra coisa.
Ela explicou que, pouco antes de seu estado de saúde piorar, encontrou uma caixa escondida atrás de roupas antigas no armário de Selina.
Dentro havia comprovantes bancários.
Documentos.
Cópias de assinaturas.
E várias cartas endereçadas a Damian.
Cartas que nunca haviam sido enviadas.
Mas havia uma coisa ainda mais estranha.
Um envelope amarelado com o nome do pai de Damian.
O pai dele havia morrido seis anos antes.
— O que tinha dentro?
Phedra apertou o lençol.
— Eu não consegui ler tudo. Sua mãe entrou no quarto.
— Você lembra de alguma coisa?
— Uma frase.
Damian esperou.
Phedra fechou os olhos, tentando recuperar a memória.
— Dizia algo como: “A casa ficará para Damian, conforme combinamos…”
Damian sentiu o ar desaparecer dos pulmões.
Durante toda a vida, Selina havia dito que a casa era dela.
Que o pai de Damian não havia deixado praticamente nada.
Que Damian e Godfrey deveriam agradecer por ela ter conseguido manter o imóvel depois da morte dele.
— Tem certeza?
— Eu lembro do seu nome.
Damian pegou o telefone e ligou imediatamente para Marcelo.
O advogado ouviu tudo.
Depois fez uma única pergunta:
— Damian, existe inventário do seu pai?
— Minha mãe cuidou disso.
Houve alguns segundos de silêncio.
— Então acho que sabemos qual será nossa próxima investigação.
Dois dias depois, Marcelo chamou Damian ao escritório.
Desta vez, não havia apenas três folhas sobre a mesa.
Havia uma pasta inteira.
— Encontramos o registro do inventário.
Damian sentou-se.
Marcelo abriu a pasta.
— Sua mãe contou que seu pai deixou a casa para ela?
— Sim.
— Não foi exatamente isso que aconteceu.
Ele empurrou uma cópia do documento.
Damian começou a ler.
Quanto mais avançava, mais lentamente respirava.
Seu pai havia estruturado a propriedade para proteger Selina enquanto estivesse viva.
Mas havia condições.
E havia beneficiários.
Damian.
Godfrey.
E uma cláusula específica relacionada à venda ou transferência de determinadas partes do patrimônio.
— Então como ela conseguiu mudar tudo?
Marcelo apontou para uma página.
— Com isto.
Lá estava novamente.
A assinatura de Damian.
Aquela que ele nunca havia feito.
Mas havia algo novo.
Outra assinatura aparecia abaixo.
Damian reconheceu imediatamente.
— Godfrey.
Marcelo assentiu.
— Seu irmão também supostamente autorizou a operação.
Damian pegou o telefone e ligou para Godfrey.
— Venha para o escritório do Marcelo.
— Agora?
— Agora.
Quarenta minutos depois, Godfrey entrou.
Damian colocou o documento diante dele.
— Essa assinatura é sua?
Godfrey olhou.
Seu rosto perdeu a cor.
— Não.
Marcelo perguntou:
— Tem certeza?
— Eu nunca vi esse papel.
Damian recostou-se na cadeira.
A previsão havia se confirmado.
Selina não havia usado apenas um filho.
Havia usado os dois.
Godfrey sentou-se lentamente.
Por alguns segundos, pareceu esquecer completamente a oficina.
— Ela falsificou a minha também.
Ninguém respondeu.
Então Godfrey começou a rir.
Não porque fosse engraçado.
Era o riso de alguém que finalmente compreendia que também havia sido manipulado.
— Eu passei anos defendendo ela.
Damian permaneceu sério.
— Phedra passou onze meses pagando por isso.
Godfrey abaixou a cabeça.
Dessa vez, não tentou se defender.
Marcelo fechou a pasta.
— Agora temos uma questão urgente. Você disse que Selina estava tentando vender a casa.
Godfrey assentiu.
— Sim.
— Então precisamos agir antes que qualquer nova operação aconteça.
Mas naquele mesmo instante, o celular de Godfrey tocou.
Era Selina.
Ele colocou no viva-voz.
— Oi, mãe.
A voz dela veio rápida.
— Onde você está?
Godfrey olhou para Damian.
— Na oficina.
— Ótimo. Não vá para casa ainda.
— Por quê?
Houve uma pausa.
Então Selina respondeu:
— Porque resolvi tudo.
Damian sentiu o corpo ficar tenso.
Godfrey perguntou:
— Resolveu o quê?
Selina parecia quase aliviada.
— A casa.
Marcelo fez um gesto para que ninguém interrompesse.
— O que aconteceu com a casa? — Godfrey perguntou.
Selina respondeu:
— Assinei os papéis esta manhã.
Damian fechou os olhos.
Mas ela ainda não havia terminado.
— Quando Damian perceber, já será tarde demais.
Marcelo escreveu rapidamente em um papel e mostrou aos dois:
CONTINUE FAZENDO ELA FALAR.
Godfrey respirou fundo.
— E o dinheiro?
Selina riu.
— Está onde ele nunca vai conseguir tocar.
Damian encarou Marcelo.
A situação acabava de mudar outra vez.
Porque, enquanto todos investigavam os últimos quatro anos, Selina aparentemente havia feito sua maior movimentação naquela mesma manhã.
E agora eles tinham apenas uma pergunta:
Para quem ela havia transferido a casa?
