Ele Me Mandou Procurar a “Empregada” no Quintal — Quando Cheguei Lá, Era Minha Mãe
Drama

Ele Me Mandou Procurar a “Empregada” no Quintal — Quando Cheguei Lá, Era Minha Mãe

08/09/2026

Minha mãe ficou olhando para a tela do celular como se tivesse visto um fantasma.

— R... — murmurou.

— Você sabe quem é? — perguntei.

Ela demorou alguns segundos para responder.

— Acho que sim.

Julian imediatamente se virou para ela.

— Martha, não inventa coisas.

Foi exatamente essa reação que confirmou minha suspeita.

Minha mãe apertou meu braço.

— Natalie, lembra do Roberto Mendes?

O nome me atingiu de imediato.

Roberto havia sido amigo do meu pai durante quase vinte anos. Depois que meu pai morreu, ele continuou aparecendo ocasionalmente para ajudar minha mãe com documentos, impostos e pequenos problemas burocráticos. Eu confiava nele justamente porque meu pai também havia confiado.

— O Roberto? — perguntei. — Aquele Roberto?

Ela assentiu.

— Foi Julian quem começou a chamá-lo aqui outra vez.

Olhei para minha irmã.

Khloe parecia tão surpresa quanto eu.

— Para quê?

Minha mãe respirou fundo.

— Diziam que era para organizar meus documentos. Julian falava que, como você estava longe, alguém precisava deixar tudo preparado caso alguma coisa acontecesse comigo.

Harrison estendeu a mão.

— Martha, você assinou algum documento?

Ela ficou pálida.

— Alguns.

Meu coração afundou.

— Quais?

— Eu não sei.

Julian bufou.

— Isso está ficando absurdo.

Harrison ignorou-o.

— A senhora leu os documentos antes de assinar?

Minha mãe balançou a cabeça.

— Julian dizia onde colocar minha assinatura. Roberto dizia que eram apenas autorizações relacionadas às contas da casa.

Harrison e eu trocamos um olhar.

Então ele perguntou:

— A senhora tem cópias?

— Não. Eles ficavam com tudo.

Julian virou-se para entrar na casa.

— Chega. Não vou ficar aqui ouvindo essas acusações.

— Julian.

A voz de Khloe o fez parar.

Minha irmã ainda segurava o celular.

— Onde estão os documentos da mamãe?

Ele não respondeu.

— Julian, onde estão?

— Não faço ideia.

Khloe riu, mas não havia humor algum naquela risada.

— Engraçado. Porque você tranca seu escritório toda vez que sai.

Ele ficou imóvel.

Eu nem sabia que havia um “escritório”.

A casa tinha cinco quartos. Quando a comprei, um deles era uma pequena biblioteca que meu pai sempre sonhara ter.

Julian aparentemente havia transformado aquele espaço em seu escritório particular.

Khloe apontou para o andar de cima.

— Ele não deixa ninguém entrar lá.

Harrison imediatamente me impediu de subir.

— Natalie, não toque em nada ainda.

Eu queria correr até aquele quarto e abrir cada gaveta, mas entendi o que ele estava dizendo. Se realmente existiam documentos falsificados ou registros financeiros ali, aquela situação precisava ser tratada corretamente e preservada.

Julian percebeu isso e sorriu novamente.

— Finalmente alguém sensato.

Harrison virou-se para ele.

— Eu não disse isso para proteger você.

O sorriso desapareceu.

Enquanto Harrison fazia algumas ligações, levei minha mãe para um canto mais tranquilo da sala.

Ela estava tremendo.

— Tem mais alguma coisa que você não me contou?

Ela demorou para responder.

— Natalie... eu sinto muito.

— Pelo quê?

— Há cerca de quatro meses, Julian me levou a um cartório.

Senti um frio no estômago.

— Para fazer o quê?

— Ele disse que precisava atualizar alguns documentos porque você morava fora do país.

— E você assinou?

Lágrimas encheram os olhos dela.

— Sim.

Ajoelhei-me diante dela e segurei suas mãos.

— Mãe, olha para mim. Você lembra o que estava escrito?

— Não tudo.

Ela fechou os olhos tentando recordar.

Então os abriu.

— Mas lembro de uma palavra.

— Qual?

— Procuração.

Atrás de mim, ouvi Khloe prender a respiração.

Harrison, que acabava de voltar para a sala, também ouviu.

— Procuração para quem? — perguntou.

Minha mãe olhou para Julian.

— Para ele.

O ambiente inteiro pareceu mudar.

Julian largou o copo sobre a mesa.

— Era apenas para emergências.

— Então você não terá problema em mostrar uma cópia — respondeu Harrison.

— Não tenho obrigação nenhuma de mostrar documentos particulares.

Harrison apenas assentiu.

— Entendi.

A tranquilidade dele parecia incomodar Julian mais do que qualquer ameaça.

Poucos minutos depois, os convidados começaram a ir embora. Alguns sequer se despediram. A festa havia acabado.

Khloe sentou-se no sofá com o rosto entre as mãos.

Minha mãe permaneceu ao meu lado.

E Julian começou a andar pela sala, digitando freneticamente no celular.

Foi quando meu telefone tocou.

Número desconhecido.

Atendi.

— Alô?

Do outro lado, uma voz masculina falou:

— Natalie?

Reconheci imediatamente.

Roberto.

Meu corpo ficou rígido.

— Roberto Mendes.

Silêncio.

Depois ele suspirou.

— Você voltou antes do esperado.

Olhei para Julian.

Ele havia parado de digitar.

— Como você sabe quando eu deveria voltar?

Roberto não respondeu.

— Natalie, precisamos conversar pessoalmente.

— Sobre os documentos que minha mãe assinou?

Outro silêncio.

— As coisas não são exatamente como parecem.

— Então explique.

— Não pelo telefone.

— Por quê?

A resposta veio baixa:

— Porque Julian não está trabalhando sozinho.

Olhei novamente para meu cunhado.

Ele estava me observando.

— Quem mais está envolvido?

Roberto respirou fundo.

— Amanhã, às oito da manhã. Meu escritório. Venha sozinha.

— Não.

— Natalie...

— Meu advogado vem comigo.

Ele ficou em silêncio.

Então disse algo que eu jamais esperava:

— Se Harrison Vance estiver representando você, não conte a ele tudo ainda.

Meu olhar foi automaticamente para Harrison.

— Por quê?

Roberto desligou.

Fiquei segurando o telefone.

Harrison percebeu minha expressão.

— Quem era?

Antes que eu respondesse, o celular de Julian vibrou.

Ele olhou para a tela.

Por apenas um segundo, consegui ver o nome que apareceu.

Roberto.

Julian recusou a chamada imediatamente.

Naquele momento, eu já não sabia quem estava mentindo para quem.

Mas ainda havia algo pior.

Minha mãe se aproximou de mim.

— Natalie...

— O quê?

— Tem uma coisa sobre Roberto que eu nunca contei.

Olhei para ela.

— Depois que seu pai morreu, Roberto apareceu aqui com uma caixa que dizia pertencer a ele.

— Que caixa?

— Documentos antigos. Seu pai pediu que ele guardasse caso alguma coisa acontecesse.

— Onde está?

Minha mãe olhou lentamente para Julian.

— Estava no meu quarto.

Khloe levantou a cabeça.

— Estava?

Minha mãe assentiu.

— Desapareceu três meses atrás.

Harrison ficou sério.

— O que havia dentro?

Minha mãe respondeu quase num sussurro:

— Documentos sobre esta casa... e sobre um patrimônio que Natalie nem sabe que existe.

Foi então que Julian pegou as chaves do carro e correu em direção à porta.

E, pela primeira vez naquela noite, eu percebi que talvez os US$ 600 mil da casa fossem apenas uma pequena parte do motivo pelo qual ele havia transformado minha mãe em prisioneira dentro do próprio lar.

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