Passei Mal no Cruzeiro e Voltei para a Cabine… Foi Assim que Descobri o Plano do Meu Marido
Drama

Passei Mal no Cruzeiro e Voltei para a Cabine… Foi Assim que Descobri o Plano do Meu Marido

08/09/2026

Roderick não desviou os olhos de mim.

— A empresa do seu pai vale muito mais do que os 300 milhões que você conhece.

Lucas virou-se para ele, completamente perdido.

— Do que você está falando?

Roderick soltou um suspiro impaciente.

— Você realmente acreditou que eu estava fazendo tudo isso para ajudá-lo a fugir com sua amante?

O silêncio que se seguiu foi quase tão assustador quanto a conversa que eu havia ouvido horas antes.

Lucas ficou pálido.

— Você disse que, depois que ela desaparecesse, o dinheiro seria nosso.

— Eu disse exatamente o que você precisava ouvir.

Gertrude deu um passo na direção do marido.

— Roderick, chega.

Ele lançou um olhar frio para ela.

— Já acabou. Não adianta continuar fingindo.

Eduardo permaneceu entre nós e a porta, observando cada movimento.

O helicóptero continuava se aproximando, mas ainda levaria alguns minutos para chegar.

— Onde estão meus pais? — perguntei novamente.

Roderick sorriu.

— Seu pai passou trinta anos construindo um império. Energia, imóveis, tecnologia, transporte marítimo. Mas existe uma coisa que quase ninguém sabe.

Meu estômago se contraiu.

— Que coisa?

— Há seis meses, ele reorganizou toda a estrutura da holding.

Eu não sabia disso.

Meu pai sempre separava os assuntos familiares dos detalhes mais delicados dos negócios.

Roderick continuou:

— Se alguma coisa acontecesse com ele e sua mãe, o controle das ações passaria imediatamente para você.

Lucas olhou para mim.

Depois para o pai.

Finalmente compreendeu.

— Então você queria matar os três?

Roderick riu sem humor.

— Não seja dramático.

— Você me colocou nisso!

— Você entrou porque quis. Ninguém obrigou você a se casar com ela. Ninguém obrigou você a arrumar uma amante enquanto fingia amar uma mulher por causa do dinheiro.

Lucas avançou, mas o oficial o conteve.

Eu mal conseguia acompanhar a discussão.

Uma pergunta ocupava minha mente.

— Se meus pais morressem e depois eu desaparecesse... quem ficaria com a empresa?

Roderick não respondeu.

Eduardo respondeu por ele.

— Seu marido.

Olhei para Lucas.

— Não — ele disse imediatamente. — Eu não sabia disso.

Eduardo balançou a cabeça.

— Não exatamente.

Ele retirou alguns documentos da caixa preta.

— O pai dela desconfiava de algumas movimentações financeiras realizadas nos últimos meses. Por isso, três semanas antes do casamento, pediu que nossa equipe revisasse todos os documentos apresentados a ela para assinatura.

Meu coração disparou.

— Inclusive a procuração?

— Principalmente a procuração.

Lucas perdeu a cor.

Eduardo colocou os papéis sobre a mesa.

— A procuração que Lucas acredita ter feito você assinar não lhe dá controle sobre absolutamente nada.

Lucas encarou os documentos.

— Isso é impossível.

— Seu sogro percebeu que havia algo errado — explicou Eduardo. — Em vez de confrontá-lo, substituiu o documento.

Não consegui esconder minha surpresa.

Meu pai sabia.

Talvez não soubesse tudo, mas sabia o suficiente para desconfiar.

— Então por que ele deixou o casamento acontecer? — perguntei.

Eduardo hesitou.

— Porque você estava apaixonada. E porque ele não tinha provas de que Lucas pretendia machucá-la.

Essa resposta doeu mais do que eu esperava.

Meu pai havia tentado me proteger sem destruir uma decisão que eu acreditava ser minha.

Lucas começou a andar de um lado para o outro.

— Então não existe dinheiro nenhum?

— Existe — falei. — Só não pertence a você.

Ele me encarou com uma expressão que eu nunca havia visto antes.

O homem carinhoso desaparecera.

— Você acha isso engraçado?

— Não. Acho triste.

Foi quando Roderick começou a rir.

Todos olharam para ele.

— Vocês ainda não entenderam.

Eduardo estreitou os olhos.

— Explique.

Roderick apontou para os documentos.

— Esses papéis não importam mais.

Meu peito apertou.

— Por quê?

— Porque seu pai está comigo há muito mais tempo do que você imagina.

Eduardo ficou imóvel.

— O que isso significa?

— Significa que enquanto vocês estavam ocupados armando essa pequena operação no iate, outra equipe estava cuidando do verdadeiro problema.

Peguei o telefone novamente.

Nenhuma nova mensagem.

— Onde estão meus pais?

Roderick sorriu.

— Talvez você devesse perguntar ao homem que está tentando salvá-la.

Olhei para Eduardo.

Ele franziu a testa.

— Não dê atenção.

Mas Roderick continuou:

— Você realmente acha que foi coincidência Eduardo conseguir chegar até este iate tão rapidamente?

Meu coração começou a bater mais forte.

Eduardo respondeu:

— Eu estava em uma embarcação de apoio a menos de vinte milhas daqui. O pai dela pediu que eu acompanhasse o cruzeiro à distância.

Roderick assentiu lentamente.

— Exatamente.

Então olhou para mim.

— Porque seu pai sabia que alguém estava atrás dele.

— Você?

— Não.

A resposta veio rápida demais.

— Então quem?

Antes que ele pudesse responder, as luzes do iate se apagaram.

Tudo ficou escuro.

Gertrude gritou.

Ouvi passos.

Depois, alguma coisa caiu no chão.

Eduardo segurou meu braço.

— Abaixe-se!

Agachei-me imediatamente.

As luzes de emergência acenderam alguns segundos depois, cobrindo o corredor com uma iluminação fraca.

Lucas havia desaparecido.

— Onde ele está? — perguntei.

O oficial correu até a porta.

— Ele desceu!

Eduardo falou rapidamente pelo rádio.

Nenhuma resposta.

Tentou novamente.

Silêncio.

— Alguém desligou o sistema interno — disse ele.

Então ouvimos o motor auxiliar do iate mudar de intensidade.

Eduardo correu até a janela.

— Estamos mudando de direção.

— Para onde?

Ele olhou para os instrumentos no dispositivo que carregava.

— Para longe do helicóptero.

Roderick não parecia assustado.

Isso me chamou a atenção.

— Você sabia que isso aconteceria — falei.

Ele permaneceu calado.

Aproximei-me.

— Quem está controlando este iate?

Roderick finalmente me encarou.

— Agora você está fazendo a pergunta certa.

Nesse momento, o telefone de Eduardo tocou.

Número desconhecido.

Ele colocou no viva-voz.

Uma voz feminina surgiu do outro lado.

— Helena?

Meu coração parou por um instante.

— Mãe?

— Filha, escute com atenção. Eu e seu pai estamos vivos.

Fechei os olhos, sentindo minhas pernas quase cederem de alívio.

— Onde vocês estão?

— Não posso explicar agora. Mas você precisa sair desse iate.

— Mãe, quem está fazendo isso?

Houve silêncio.

Então ouvi meu pai ao fundo:

— Conte a ela.

Minha mãe respirou fundo.

— Helena, encontramos documentos escondidos nos arquivos da empresa. Alguém vinha desviando dinheiro há quase doze anos.

Olhei para Roderick.

Ele continuava estranhamente tranquilo.

— Roderick?

— Não — respondeu minha mãe. — Ele participou, mas não começou isso.

Meu coração afundou.

— Então quem?

Antes que ela respondesse, outra voz surgiu no convés.

— Acho que posso explicar.

Virei-me.

Uma mulher estava parada junto à porta.

Elegante, cabelos escuros presos, vestido preto e um telefone na mão.

Eu nunca a tinha visto pessoalmente.

Mas reconheci seu rosto.

Meses antes, eu havia encontrado uma fotografia dela no bolso de um paletó de Lucas.

Na época, ele disse que era uma cliente.

Agora eu sabia a verdade.

Era a amante dele.

Lucas apareceu atrás dela.

Mas havia algo completamente inesperado.

Ele não estava sorrindo.

Parecia apavorado.

A mulher colocou a mão sobre o ombro dele.

— Helena — disse ela calmamente. — Acho que está na hora de você descobrir por que Lucas realmente foi colocado no seu caminho.

Lucas olhou para ela.

— Camila, não faça isso.

Ela sorriu.

— Tarde demais.

Então olhou diretamente para mim.

— Seu marido nunca me conheceu por acaso.

Senti um frio percorrer minha coluna.

— Quem é você?

Ela caminhou até a mesa, pegou a fotografia que Eduardo havia deixado junto aos documentos e virou-a para mim.

No verso havia uma data.

12 de agosto de 2008.

Ao lado da data, uma assinatura.

Reconheci imediatamente.

Era a assinatura do meu pai.

— Meu nome é Camila Duarte — disse ela. — E há dezoito anos, seu pai destruiu a minha família.

Meu pai gritou pelo telefone:

— Helena, não acredite nela!

Camila sorriu.

— Pergunte a ele sobre o Projeto Atlântico.

Meu pai ficou em silêncio.

Foi nesse instante que percebi que aquela história havia começado muito antes de eu conhecer Lucas.

Talvez antes mesmo de eu me tornar adulta.

E pela primeira vez desde que descobri o plano contra mim, ouvi medo verdadeiro na voz do meu pai.

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